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Hangers

Para segurar todos os meus sonhos, anseios e conquistas e já agora, também um belo casaquinho!

Auschwitz: O que a mente humana não consegue imaginar!

29.11.18 Catarina Rocha Pinto Catarina Rocha Pinto

Não me considero nem de perto nem de longe uma "travel lover" mas como qualquer comum mortal tenho os meus destinos que gostava de conhecer.

E para quem me conhece sabe o interesse que tenho desde há muito tempo sobre o Holocausto e os judeus, tanto que a minha tese de mestrado foi sobre esta mesma temática.

Já não sei quando é que passei a dar particular atenção a este tema mas penso que foi nas aulas de História da Professora Leonor no secundário. 

Sempre adorei História, desde os Reis à Época Moderna sempre encarei os factos históricos como uma real herança e um prelúdio do que somos hoje, e isso fascina-me!

A matéria do campos de concentração sempre me perturbou mas não no sentido de ignorar os factos, mas sim no sentido de querer procurar sempre mais informação e tentar perceber o porquê, as razões, quem, como se fosse possível aceitá-las.

Enquanto escrevia a minha tese, pude ler vários livros relacionados com o judaísmo e a Alemanha nazi, que juntei às dezenas de filmes que já tinha visto relacionados com esta época.

E a curiosidade e até sentido de responsabilidade em saber mais fizeram-me decidir que, assim que pudesse iria visitar o local onde tudo se passou: Auschwitz!

Enquanto estudante era me completamente impossível fazer esta viagem mas agora que trabalho, tive a sorte de conseguir ter as condições necessárias para realizar este desejo.

E assim foi, a 26 de outubro lá fui até Cracóvia onde iria compreender e saber mais sobre um dos acontecimentos históricos que mais me intriga, revolta e me faz duvidar do propósito de todos nós.

A viagem para o primeiro campo (Auschwitz I) demorou cerca de 1 hora de Cracóvia e é lá que através de um guia podemos entrar nas instalações onde milhares de judeus entraram, dormiram, comeram, rezaram e morreram.

O dia nublado e chuvoso quase me conseguiu transportar para os filmes que vi e o ambiente pesado e sombrio deixou-me angustiada ao ponto de querer sair dali o mais depressa possível.

Quem entra neste campo não tem como não se deixar afetar por toda a envolvência, não digo que haja um cheiro ou uma sensação que tenha ficado porque à quantidade de gente que por ali já passou, tudo isso acabou por se dissipar mas é ali que temos a certeza absoluta que aquilo aconteceu.

Aquelas paredes e instalações são a prova ainda viva que aquilo não passou de uma história exagerada ou de factos mal contados, não.

Aquilo aconteceu exatamente como eu tinha lido e visto nos filmes.

Durante a viagem guiada somos levados por várias salas e da maneira que somos encaminhados em fila uns atrás dos outros, leva-nos a pensar se com aquelas pessoas teria sido assim, se também eles entraram de forma ordeira obedecendo às ordens de quem os encaminhava.

Naquele espaço foi-nos pedido silêncio e respeito pelos que ali foram mortos e havia algumas salas onde não podíamos tirar fotografias.

 

A visita é divida em duas partes (Auschwitz I e Auschwitz II) e tem o custo de cerca de 40 euros.

 

E como uma imagem vale mais do que mil palavras, passemos às fotografias que por mais que eu quisesse não vão demonstrar-vos metade daquilo que lá se sente...

 

Auschwitz I

 

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(As várias construções dentro do campo que seriam dormitórios, salas, escritórios,...)

 

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(Sapatos. Como esta vitrine existem outras tantas cheias de pertences das pessoas que lá morreram.)

 

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(Dormitórios.)

 

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(Os rostos de homens e mulheres que assim que chegavam aos campos eram fotografados para efeitos de registo. Das partes que mais me incomodou. Crianças, deficientes, idosos, homens e mulheres, sem qualquer exceção.

 

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(Dormitórios)

 

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(Salas subterrâneas onde muitos eram castigados e ali permaneciam à espera "do dia")

 

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(Interior de salas de câmaras de gás)

 

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(Parede da morte. Agora um memorial)

 

Auschwitz-Birkenau II

 

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(Era nesta linha férrea que chegavam ao campo)

 

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(O que resta de algumas das construções)

 

Para terminar, posso vos acrescentar que me sinto um pouco mais completa por ter feito esta viagem mas com a certeza de não querer voltar a este sítio.

Passado mais de um mês de ter estado neste lugar estas fotografias ainda me põem enjoada, no entanto considero uma ferida onde temos de carregar por vezes mas nunca nos esquecermos de não voltar a repetir esta barbárie.